Acho que nunca falei disto aqui e, francamente, nem sei bem como fazê-lo... Ou pelo menos explicar o que penso sobre o assunto.
Eu e a minha mãe temos uma relação conflituosa. Muito conflituosa, diga-se. Deve-se essencialmente ao facto de termos feitos mais ou menos parecidos - difíceis e próprios.
Mas a meu ver, e não querendo descartar culpas, deve-se essencialmente a ela própria, à sua obsessão pelo controle, pela opinião dos outros, por "parecer bem", por regras, à sua frieza e frustração... A minha mãe é do tipo de pessoa que te faz sentir uma merda por colocares um lençol a secar de forma diferente da dela ou se demoras mais um pouco de tempo a descascar umas batatas, que consegue estragar um almoço de domingo se não sabes como fatiar adequadamente um pedaço de carne, que te cobra o facto de ter aturado a falta de apetite que tiveste em bebé, que te diz que nunca chegarás a lado nenhum só porque tens opiniões diferentes das dela, que diz que prefere morrer a ter que ficar dependente da tua ajuda (sim, ela disse mesmo estas coisas).
Eu não sei se a minha mãe sabe educar, acho que a imposição de regras e obrigações não é necessariamente educar. Para além de que eu e o meu irmão sempre fomos tratados de maneira diferente, sendo que ele não passou nem metade do que eu já passei. Até há uns tempos atrás, achei que nunca quereria ser mãe por considerar que as minhas referências não eram as melhores. Actualmente já não penso bem assim, até porque comecei a afastar-me e a descartar os aspectos menos bons da sua personalidade e a não pensar da forma moldada e intransigente que ela constantemente me impinge.
Essencialmente, acho que ela nunca ultrapassou a má relação que teve com o pai, com quem cortou relações no início dos seus 20 anos. E tenho pena que de alguma forma, ainda que não tão acentuada, as coisas entre nós assumam algumas semelhanças. Por exemplo, acho que a última vez que disse um "gosto muito de ti" ou algo do género à minha mãe foi em criança, para ser sincera nem faço ideia. Não sinto proximidade para o fazer, nem sei como fazê-lo.
É que há coisas que ela diz que atingem profundamente como facas afiadas, coisas cruéis e mesquinhas que nunca desaparecem da memória e que me retiram qualquer ponta de vontade de tentar melhorar a relação.
Admito que é provavelmente das coisas mais tristes que tenho na vida, mais é ainda pior quando penso nisso e percebo que já me habituei a viver assim e que dificilmente algo mudará.
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