No dia em que esse papão é lembrado por todos os lados, é-me difícil esquecer a turbulenta relação que tenho com ele. Não, nunca tive cancro da mama. Mas alguém da minha família já o teve.
Foi antes de eu entrar para a faculdade, e na altura achei que até nem foi algo que me tenha afectado muito, no sentido de me deixar sem dormir ou algo do género, até porque tive a sensação que passou muito rápido.
O problema foi quando entrei para Enfermagem e me tornei uma hipocondríaca do pior. Tinha aulas de Oncologia e a partir daí achava que tinha todos os factores de risco, sintomas etc etc, de poder vir a ter todos os cancros e mais alguns. Maluqueira... Mas a verdade é que tudo o que se referisse ao cancro da mama me afectava de uma forma tão profunda que nem eu consigo explicar.
Era um medo cá por dentro, uma aflição, que às vezes até me deixava tonta só de ouvir falar do assunto.
No ano passado, acho que ainda não disse aqui, fiz uma mamoplastia de redução. Sim, é verdade, num presente em que o que toda a gente quer é aumentar, eu decidi diminuir. Não teve nada a ver com prevenir o cancro nem nada disso, mas mais por questões práticas, estéticas e para me sentir bem comigo mesma. E resultou, isso tenho que dizer. Para mim é um símbolo determinante de feminilidade, quer queiram quer não. E, podendo melhorar algo que afectava a satisfação que sinto pela minha imagem, não vejo razão para não o fazer.
Mas voltando ao pré-operatório, basicamente obriguei o cirurgião plástico a prescrever-me uma ecografia mamária para confirmar se estava realmente tudo bem. Só mesmo para eu tirar os macaquinhos que me comiam a cabeça. Estava tudo normal.
Após a cirurgia consegui atenuar um pouco a minha aversão ao cancro da mama. Tolerava muito melhor as conversas sobre o assunto, e já não pensava tanto nisso.
No entanto, ultimamente esse medo irracional que, apesar de ter uma base fundada na parte dos antecendentes familiares não detém rigorosamente mais nenhuma, voltou. Isto tudo porque me apareceram umas borbulhinas numa mama e tenho sentido umas dorzitas na outra. Eu sei que em grande parte não passa de mais uma das minhas paranóias, mas não consigo controlar, é mais forte do que eu. É um medo que me ultrapassa, incontrolável...
Ontem fui à minha ginecologista, e obriguei-a a prescrever-me uma ecografia mamária outra vez. Só para tirar os macaquinhos que me comem a cabeça...
Paranóia ou não, o melhor mesmo é prevenir. A detecção precoce pode ser determinante para a cura. Não há que ficarmos paradas.
crazy person... god!