quarta-feira, outubro 17

Sobre o caso da menina de Loulé


Eu confesso que não li muito sobre o assunto, sei por alto a versão dos pais da criança e, por sua vez, da escola. E de um modo geral acho que a história foi apresentada de uma forma tendenciosa, devo dizer.
Claramente que não concorde de forma alguma que se deixe uma criança sem comer, sejam quais forem as circunstâncias. Não é humano, isso é óbvio.
No entanto, segundo um representante da escola, isso não foi o que aconteceu. A criança foi impedida de fazer uma refeição junto dos coleguinhas, por alegadamente os pais não pagarem a prestação das refeições há já dois anos. Seria de alguma forma compreensível se fossem pessoas carenciadas e com dificuldades, o que não é o que sucede, dado que nesse caso a criança teria algum subsídio de alimentação.
A meu ver os pais simplesmente baldaram-se a essa responsabilidade, já que a criança comia há dois anos sem eles pagarem um cêntimo, era bastante conveniente prolongar o "esquecimento", convictos de que ninguém privaria a criança da refeição.
Acontece que a escola tem milhares de euros em falta, pelo que avisaram algumas vezes de que as prestações deveriam ser pagas o quanto antes, como é lógico. Inclusive, alertaram para o facto de a mãe ter que ir buscar a menina à hora do almoço, caso contrário não faria a refeição. A mãe não apareceu, como lhe havia sido recomendado, pelo que a escola optou por colocar a criança numa sala e deu-lhe um pão e um pacote de leite. Ora, a criança não vai ficar traumatizada, nem tão pouco morreu à fome, por amor de Deus.
Acho que é uma questão de bom senso e resposabilidade. Quer dizer, todos os outros pais pagam para os filhos comerem, pelo que não me parece admissível que se abra uma excepção para apenas uma criança. Tudo tem um limite, até os moralismos e conveniências.

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