Elle Fanning
A inocência, bondade, simpatia, o que lhe queiram chamar, em exagero é, sem dúvida, uma delas...
Eu tenho 21 anos, bem sei que sei muito pouco sobre a vida. Mas sei o suficiente para me safar dos mil pés que aparecem, às vezes ao mesmo tempo, para me pisarem. Porque observo, porque estou sempre atenta às pessoas à minha volta, porque tenho uns pais que sempre me chamaram à realidade e me ensinar o quão dura ela pode ser, porque sou esperta o suficiente para dar ouvidos à minha intuição... Mas principalmente porque tenho a capacidade de esperar o que quer que seja das outras pessoas, para o bem e para o mal, de forma a não me deixar surpreender, a não me desiludir.
Hoje ouvi algo que me perturbou imenso, de uma amiga minha, de quem gosto bastante, mas que tem traços de personalidade que em nada têm a ver comigo, que foi "Eu gostava de ser como tu, porque és perspicaz, percebes as pessoas. Sabes logo quando se deve gostar ou não de uma determinada pessoa. E eu não consigo fazer isso, eu não consigo ver quem é boa pessoa ou não. Para mim, só se alguém me fizer alguma coisa, é que eu percebo se é boa ou má pessoa. Às vezes acho que ando enganadinha da vida".
A sério, não era nada que eu já não soubesse, e até achei positivo ela ter finalmente percebido isso, ter feito essa reflexão. Mas é assustador, perturbador até.
Eu não consigo imaginar como é que hoje em dia alguém consegue sobreviver dentro de uma bolha cor de rosa onde a música de fundo é a Primavera do Vivaldi.
Acho louvável, que ainda haja pessoas assim tão inocentes e boas, e sinto-me muito grata por ter alguém assim tão próximo de mim, até porque traz alguma sensibilidade à minha vida. Mas não consigo perspetivar viver sem a minha intuição que me traz muitas vezes à realidade e que é uma verdadeira arma de defesa.
No entanto, suponho que ela é assim principalmente por, de alguma forma, ter sido demasiado protegida pelos pais, que a continuam a ver como menina, tentando ao máximo evitar o seu sofrimento, evitar que se magoe. Como se vivesse constantemente numa redoma de carinho e amor, onde tudo é lindo e perfeito, que de certa forma a infantiliza.
E, basicamente, no caso da minha amiga em particular, preocupam-me as desilusões que lhe vão cair em cima, e que poderão ser devastadoras por serem tão tardias.
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