quinta-feira, março 24

o nosso Portugal

Ninguém diria que, depois de tantos ditos por não ditos, tantas mudanças de opinião, tantos desmentidos, etc etc, o nosso ex Primeiro-Ministro cumprisse realmente aquilo que ameaçou. Eu não esperava. Sempre achei que, ainda que a oposição não aprovasse o PEC 4, ele fosse dizer algo do género "estava a brincar" ou "é claro que não me vou demitir, porque nunca tencionei realmente isso". Qualquer coisa desse género, afinal não seria a primeira vez. Contudo, surpreendeu-me. Nesse aspecto há que reconhecer a coragem do senhor.
Agora, não acho que tenhamos assim tantas razões para considerar isso como um factor positivo a reconhecer dada a actual situação do país. Da forma como isto anda, era notório que mais ninguém queria governar o país nestas circunstâncias. Ninguém quer ficar com a batata quente na mão. Não é o principal partido da oposição, nem o seu líder, que vão melhorar a nossa situação ou, ainda mais dificilmente, invertê-la.
Eu, como declarada apoiante da esquerda, mas não da suposta e ilusória esquerda do Sócrates, vejo a não aprovação das últimas medidas do governo como uma imensa falta de consicência e respeito pela democracia e liberdades do portugueses. Atirar de bandeja o poder à direita, é deitar por terra o sacrifício e luta que muita gente teve que travar durante muitos anos. (25 de Abril, ainda alguém se lembra?)
Mas quando estiver tudo privatizado e o povo perceber que não vai ser com tanta facilidade que os filhos serão "doutores" ou que o acesso à saúde terá de ser cada vez menos prioritário porque não há dinheiro para aceder aos hospitais particulares, então vão abrir os olhos. Ou pelo menos, espero que os abram.

qualquer dia voltam os crucifixos às salas de aula, a ingressão obrigatória no exército, as leituras proíbidas ou quem sabe o slogan "Deus, Pátria, Família".

Sem comentários: